quarta-feira, 9 de março de 2011

A malária está no ar, o ar está mal!


O grande vilão dos viajantes, missionários, voluntários e turistas, a malária anda em derredor rugindo como um leão buscando a quem possa tragar!
Logo na imigração no aeroporto de fortaleza apreenderam um repelente meu. Não que eu estivesse contrabandeando mas porque superava a margem de 100 ml por embalagem na bagagem de mão. Com a baixa tive que sobreviver com meu outro spray que estava na bagagem maior, mas pena que ele praticamente já acabou. Estou numa enrascada, num mato sem cachorro, numa África sem repelente, e adivinhem... aqui não vende isso! Tive que fazer então um racionamento de repelente utilizando somente nos horários de pico do mosquito, entre ás 4 da tarde ás 10 da manhã, utilizando conjuntamente calça comprida e camiseta.
Outro agravante dessa situação é o calorzão que faz aqui, que torna a utilização de calça e camisa praticamente impossível!
Conheci um brasileiro aqui que me deu uma notícia muito animadora, ele nunca viu um brasileiro que saiu daqui sem ter pegado Paludismo (Malária) pelo menos uma vez. Apostei com ele que seria o primeiro e até agora estou cumprindo com a minha palavra. Outro dia ele veio aqui, e perguntou como estava meu desempenho na luta contra o mosquito, e ainda acrescentou a informação de que pele branquinha são as que eles mais preferem, hehehehhe, "graças a Deus que eu não sou tão branquinho" - eu disse.

Far Far Away!


Para começar planejei tudo com bastante antecedência, mas como sempre, só arrumei as malas na madrugada antes de vir. Acontece que viajei no domingo dia 6 de fevereiro, no sábado houve o culto na minha igreja para me despachar, e na sexta fiz uma festinha para mim mesmo, hehehe, com alguns amigos, músicas ao vivo e até bolo de aniversário, afinal faria aniversário dali a nove dias. Portanto, a semana que antecedeu a viagem foi corridíssima além das infindáveis provas que realizei na faculdade.
Me despedi dos de casa e embarquei num vôo para fortaleza para de lá pegar um vôo para Cabo Verde, dali mais dois para Dakar e Bissau respectivamente. Devo confessar que esperava um verdadeiro matagal ao chegar ao aeroporto de Cabo Verde, mas me surpreendi, a estrutura era aconchegante e só passava canais brasileiros na televisão. Pensamento preconceituoso o meu não? Mas estava certo, só errei o aeroporto pois a minha expectativa se confirmou no aeroporto de Bissau. Viagem cansativa? nada, em todo tempo eu estive sentado no avião com ar condicionado e lanchinho, cansativo é viajar nos toca-tocas daqui, famosos por não terem lotação máxima e pelo calor que a estrutura de metal lhes confere. No aeroporto de Bissau, após ter feitos já alguns amigos guineenses vindos do Brasil, encontrei-me com o missionário Wesley, também conhecido como Wesley Cunningham! Nós passamos o dia na capital Bissau, uma verdadeira bagunça e desordem reflexos do abandono e desleixo das autoridades governamentais. Um trânsito caótico, onde acredite, calçadas viram faixas de ultrapassagem! A noite o povo torce para que não haja nuvens que possam impedir a luz da lua, já que não existe rede de energia elétrica. um dado momento após o guarda de trânsito ter ido embora o trânsito travou, era um cruzamento onde um caminhão entrou atravessado e outros carros também entraram calculando erradamente suas posições de forma que o caminhão nem andava para frente nem para trás, e como se não bastasse, ninguém mais andava nem um centímetro, pois aqui nos cruzamentos todos tem a preferência! O businaço começou e se não fosse por uns 5 rapazes terem decido de seus carros e organizado o trânsito, estaríamos lá até agora!
Chegamos em Gabú, uma cidade do interior onde ficaria e ao descer do carro o povo da Base missionária me recebeu com musiquinhas bem legais da região ao ritmo de tambôs e palmas. Aliás vale ressaltar que as musiquinhas daqui são realmente envolventes e ótimas de se cantar e dançar! Melancolia em músicas é algo que praticamente não existe!